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Uns agasallos de caramba

Sábado, Maio 17th, 2014

A intimidade é a parte da existencia á que non se debe acceder desde o exterior, o dereito á privacidade é un dereito humano.

Arredor de nós constrúese o mundo das aparencias. Vivimos na mentira. E a intimidade é o fogar do auténtico ego, onde a nosa consciencia toca a realidade. Co tempo, ese espazo de seguridade convértese en caixón para agochar o que non queremos proxectar a través da personalidade convencional.

No discurso oficial dun cargo público non hai lugar para a autenticidade. A mensaxe é unha ferramenta finalista sen vida propia. Por iso as conversas confidenciais ou fóra de cámara amosan vestixios de verdade. Son tempos de crise, mudanza, depuración. Entón, a corrupción política emerxe e a intimidade máis salvaxe fica núa ante os ollos da multitude.

A filtración das comunicacións e escoitas telefónicas a persoas implicadas en casos de corrupción política ofrece datos útiles para a análise. Un deles é a lingua de poder. Malia fabricarmos un escenario normativizado, a verdadeira lingua de poder na Comunidade Autónoma Galega é o castelán, e acéptase. Curiosamente algúns medios escriben noticias sobre modestos bandoleiros nos que salientan o emprego do idioma galego en territorio galego. Mais nos grandes negocios coa administración galega non temos corrupto nin corrupta que nos roube en galego.

O galego incide no espectro nobre da sociedade, esténdese polo corpo literario, agroma nos campos das batallas xustas e reclama o seu espazo no eido tecnolóxico. A ética da normalización debate se a lingua, para ser normalizada, precisa colonizar o lado escuro; a iniquidade, a perversidade, a frivolidade… a intranscendencia.

Namentres, seguimos agardando, no ceo das e dos xustos, que nos ofrezan presentes caralludos.

Os Loisíadas

Xoves, Xuño 28th, 2012

(publicado em Diário Liberdade o 4 Abril de 2011)

A última vez que se tinha sentido com tanta força a presença de Lois Pereiro em Compostela fora no concerto tributo aos Radio Océano do ano passado, quando Johnny Rotring (Xosé Manuel Pereiro) cantava ‘Narcisismo’ junto com a mítica banda dos 80. No passado 31 de março, novamente na Sala Nasa, pugemos em xeque a balança entre a mistificaçom do artista e a comuniom com o seu legado, mas o peso da sua obra nom nos deixa elevá-lo ao sublime e resiste-se a ficar entre nos, desafiante.

“A sua escritura desativa por si mesma todas essas cuchipandas”, em palavras do Leo. Assim, o tributo a Lois Pereiro fez que a verdadeiramente sublimada fora a festa, a música, a literatura galega e a própria poesia.

O chévere Manuel Cortés apresentou o elenco musical, e Manu Clavijo desprendeu com classe as primeiras notas da noite. Um foco imaginário iluminava algum recanto impossível onde o poeta mais punk gostaria de escuitar e de espreitar, e seica Lois era um observador implacável. Desta volta nom assistiu a polícia, como fizera no tributo a Lois Pereiro no Borrazás da Corunha, para deixar constância do incomodo que segue a ser o seu espírito.

No descanso das bandas, entre cervejas e leituras fugazes da ‘Poesia última de amor e enfermidade’, escuitava declaraçons dos mais achegados. Segundo o seu irmao, embora as desgraças que lhe puderam ter acontecido, Lois era umha pessoa muito divertida, e pode que essa profunda alegria, retranca e fúria seja o que impregna hoje este tipo de celebraçons. Para Anton Losada “todos os poetas recordam a alguém, mas Lois Pereiro só me recorda a Lois Pereiro”.

O inovador projecto musical Das Kapital, que este ano apresentará disco, foi depois o encarregado de recuperar ‘Narcisismo’, esse cru poema musicado onde o latejar do autor se converte em percussom: “Sigo os passos do sangue no meu corpo”…

Fora de cena, quem também integra o projeto audiovisual ‘Nom saímos do lixo’, imaginava o que nos poderia dar o Lois Pereiro roteirista, cronista irônico de humor incorreto.

O último grupo em saltar à cena foi Ondas Martenot. Mençom à parte merece este que poderíamos chamar projeto póstumo do Lois: O Leo i Arremecaghona, Cristina (do Sonoro Maxín, que também terá disco este ano) e Fran mais Antón (que venhem de estrear disco de Ulträqäns no AchegArte), tocárom o que Lois, “que tinha o subconsciente colonizado polo rock’n’roll”, quereria ouvir.

A emotividade ganhou graus quando Josito Pereiro se somou com a sua voz a completar o repertório. Ecoou na sala o ‘Perfect day’ de Lou Reed com reminiscências de Fuxan os Ventos, e o momento lusista deixou-se sentir ao som do ‘Como o vento’ de Radio Océano e do ‘Venham mais cinco’ do Zeca Afonso.

A despedida soube a agradecimento, pois umha pessoa que foi sem se queixar de nada, deixou em nós carinho nom condescendente e ganas de viver desesperadas. Chama a atençom a festividade desta iniciativa civil nom subvencionada, no ano mais valente e menos institucionalizado da história dum rejuvenescido Dia das Letras Galegas.

E chama a atençom especialmente o elevado nível de apropriamento da obra por parte das novas geraçons, quiçá, pola contemporaneidade do escritor e também pola modernidade alternativa e compromisso libertário que esconde.

Isto é o que transmite este fresco espetáculo tributo a Lois Pereiro, e estas som as vindouras paradas:

22 de abril. Local Social A Rebusca de Maceda (Terra de Trives).

30 de abril. Ato de Causa Galiza em Lugo.

7 de maio. Naraio (Trasancos).

12 de maio. Antigo cárcere da Corunha.

13 de maio. Muimenta (Terra Chá).

14 de maio. Parque Santa Margarida da Corunha.

16 de maio. Ourense.

Galeria fotográfica: